
Escrever é uma das coisas que ando fazendo bastante para organizar minhas ideias, estudar e registrar as coisas por aqui.
Um dos problemas que comecei a perceber, porém, era onde tudo isso estava sendo produzido. Em algum momento eu tinha coisas na VPS, no Linux, no Nexus (meu servidor pessoal Ubuntu), no celular e no bom e velho papel.
Organizar demais !== produtividade
Criar estruturas, categorias e sistemas perfeitos para guardar coisas que, no fim, eu nem sempre voltava para consultar era uma forma fácil de gastar mais tempo organizando do que escrevendo.
Hoje uso o Obsidian e acabei saindo um pouco dessa nóia. Não sei se foi necessariamente por causa dele ou simplesmente pelas experiências anteriores de perceber que eu não aderia a todo aquele nível de organização.
O Obsidian é basicamente arquivos Markdown e pastas
Uma das coisas de que gosto no Obsidian é justamente sua simplicidade. Por baixo da interface, minhas notas continuam sendo basicamente pastas e arquivos Markdown.
Existem várias outras funcionalidades, principalmente através de plugins, mas confesso que o básico já me atende. No fim, o que mais me interessa é conseguir escrever, editar e visualizar de forma simples.
Tenho uma pasta cheia de arquivos .md que consigo abrir, mover, versionar ou até abandonar o Obsidian no futuro sem perder o que escrevi.
Um dos problemas do Obsidian para mim
Eu escrevia alguma coisa no computador e queria continuar no notebook. Tinha uma ideia longe do PC e queria registrar pelo celular. Às vezes queria simplesmente consultar algo que havia escrito anteriormente.

O Obsidian possui sua própria solução de sincronização, mas ela é paga. Existem outras formas de resolver isso, algumas mais improvisadas, e cheguei até a tentar usar o Google Drive. Confesso que não gostei muito da experiência, principalmente pelos problemas que tive para sincronizar os arquivos no Linux.
O esforço para fazer o Google Drive funcionar do jeito que eu queria já não compensava. E, no fim, o Google ainda estava batendo na porta para me cobrar pelos MB.
Como o Syncthing resolve essa bronca
A ideia dele é simples: sincronizar arquivos diretamente entre dispositivos.

Em vez de eu colocar minhas notas em um serviço central e todos os meus dispositivos conversarem com esse serviço, posso fazer com que os próprios dispositivos sincronizem suas pastas entre si.
No meu caso, ficou mais ou menos assim:
Linux ─ ── ─ Nexus
│ │
│ │
Windows ─ ─ Celular
Os dispositivos são nós que podem sincronizar arquivos diretamente uns com os outros. Meu servidor acabou assumindo uma posição especial simplesmente porque fica ligado praticamente o tempo inteiro.
Se eu escrever uma nota no meu Linux e ela for sincronizada com o Nexus antes de desligar o computador, por exemplo, aquela alteração continua disponível por lá. Quando abrir o Obsidian no celular depois, ele não depende de o computador estar novamente ligado para encontrar a versão mais recente.
Ter um servidor não é obrigatório. Se você tiver, por exemplo, apenas dois dispositivos, eles também podem sincronizar diretamente entre si. No meu caso, ter o Nexus aumentou a disponibilidade das minhas notas, já que existe quase sempre um dispositivo ligado com uma cópia atualizada dos arquivos.
Essa ideia de comunicação peer-to-peer pode lembrar um pouco o BitTorrent. O conceito é muito maior do que cabe explicar aqui, mas a parte que nos interessa é simples: os dispositivos conseguem trocar dados entre si sem depender de um servidor central armazenando tudo.
No fim, são só arquivos sendo sincronizados entre dispositivos
Meu Obsidian continua visualizando basicamente uma pasta:
notas/
├── ideias/
│ ├── php.md
│ └── gba.md
├── estudos/
│ └── http.md
└── rascunhos/
└── syncthing.md
E, ironicamente, depois de passar tanto tempo tentando construir sistemas melhores para organizar minhas coisas, a solução que mais tem funcionado para mim até agora é uma pasta cheia de arquivos de texto sendo copiada entre meus dispositivos.